[57] Um Curuzu para as crianças
“Crianças Fest Curuzu” transforma rua em quintal de brincadeiras e resistência
Organizado por moradores, o evento celebra as infâncias do bairro com afeto, comida e brincadeira

No Curuzu, berço cultural e território de resistência negra em Salvador, onde o tambor do Ilê Aiyê ecoa como herança viva, a infância é celebrada com força, afeto e organização popular. É assim, há oito anos, no Crianças Fest Curuzu, uma ação feita pela comunidade para as crianças do bairro.
Moradora do Curuzu, Dara Suane,11, participa do evento desde a primeira edição. “A melhor parte é ser criança. Amo essa festa, porque tem brincadeira, pula-pula, piscina, café da manhã. É muita diversão. Estou aqui há oito ano”, disse.
Todos os anos o Crianças Fest Curuzu ocorre no dia 12 de outubro e transforma a rua em um grande quintal coletivo, desde 2016. A programação inclui café da manhã, almoço comunitário, brincadeiras, sorteios e brindes.
A iniciativa foi idealizada pelo motorista de ônibus Jorge Ferreira Rodrigues, 44, e hoje conta com o apoio da comunidade, especialmente de seus amigos - o trabalhador autônomo Ernandes das virgens, 39, e o personal Eric Medrado, 32 - que ajudam na realização do evento, por meio de doações e parcerias voluntárias.
A ideia surgiu de uma memória difícil e de um desejo antigo de Jorge, nascido e criado no Curuzu.
“Por ter tido uma infância muito dura, sem brinquedos, sem presentes, isso me deu vontade de realizar a festa. Também quis continuar o que os antigos moradores faziam. Chamei Ian, depois Eric chegou, e a gente teve a coragem de iniciar”.
Nos primeiros anos, nem todo mundo entendeu o objetivo da celebração.“Foi difícil, porque tinha moradores que se incomodavam. Talvez por ser uma comunidade onde essas coisas não aconteciam. Mas, quando o projeto foi tomando forma, a partir do terceiro ano, tudo mudou. Hoje todos abraçaram. Me ligam o tempo todo perguntando quando vai ser, o que vai ter, é uma agonia boa”, ressaltou.
Neste ano, a festa começou às 7h e seguiu até as 17h, reunindo cerca de 400 pessoas. Ao todo, foram distribuídos 400 brinquedos para as crianças. A divulgação foi feita no boca a boca e também por meio do Instagram @criancasfestcuruzu. A rua foi completamente fechada e teve o apoio da Polícia Militar, atendendo ao pedido dos moradores.
Segundo Ernandes, o que sustenta a festa, além da coragem de fazer, é a força da coletividade.
“A população é um dos nossos principais parceiros. Sem essa união, nada sairia do papel. Todo mundo ajuda como pode. É no braço, na disposição, na vontade de ver as crianças felizes”.
Animada com a realização do evento, Paloma Rodrigues,12, conta como curtiu o dia. “Eu amei a festa deste ano, pois teve mais opções de brinquedos para escolher brincar. Nunca participei de outras festas do Dia das Crianças como essa. Acho que a comemoração poderia ter mais brinquedos infláveis para ficar ainda melhor. Já participei da brincadeira do ovo, do pote e de adivinhar. Ganhei um brinquedo de fazer bolha e gostei muito”, revelou.

Mesmo sem estrutura, o evento cresce. A cada edição, mais crianças, mais doações, mais envolvimento. Para as famílias, virou um dos momentos mais aguardados do ano.
“A festa é importante porque nossas crianças se sentem acolhidas e valorizadas”, diz Diana Motta, mãe e moradora do bairro. “Não é só o dia. É o cuidado nos detalhes, é a dedicação dos colaboradores. Meus filhos se sentem à vontade, felizes. E eu só tenho a agradecer. É um dia em que as crianças realmente se sentem crianças”.
Reportagem de Estefanie Santos
Edição de Cleber Arruda e Rosana Silva
Fotografia de Lissandra Pedreira
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Incrível os testemunhos serem das crianças, me emocionei com o de Paloma 🥹
Sensacional! 💕